CAIS
Maria Mercedes Paiva

Minha alma é um farol longínquo e ermo, lançando luzes em todas as direções em que te busco, mar afora, no oceano de tua ausência!

Meus dias são ancoradouro pousado no tempo... suspenso entre a saudade e a esperança...
Cais só de partida à vastidão e vai... - batel de minhas desorientadas ânsias !

A saudade põe-me alerta, a tua espera!... Ruge, rude e vem o temporal... listras de fogo trons ecoando tons, pela estiva... portas abertas ao vendaval!!

Desta solidão sou sentinela! Por mais alta a maré... Por mais forte a procela...
Resistirei de pé!

Sempre depois, vem a calmaria e marolas macias, me alcançam nessa restinga, colhendo as rendas de meus versos na areia e as conchas vazias de meus sonhos dispersos, que deixei cair, ao me equilibrar, na maré cheia!

Eme Paiva
23.01.07

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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