BARCOS DE PAPEL
Badu Santos
Na ribeira, meus sete mares imaginários,
ilha dos tesouros enterrados
por piratas cruéis e lendários.
Náufrago em minha ilha por casualidade,
aqui tudo é pleno e despretensioso,
de inocente serenidade,
em paradisíaco refúgio da felicidade.
Pequeno marujo e capitão mirando um horizonte,
aventureiro e sonhador,
desbravando um coração em incessante ardor.
Vou dobrando com carinho as folhas de jornal,
vou moldando um destino para barcos de papel!
Na transparência da água rasa,
refletindo fundo espelhado de dia claro no céu.
Vão deslizando calmamente sem um rumo certo,
alguns para bem longe outros para bem perto.
Desfazendo-se por fragilidade,
em águas que cobrem pouco mais que meus pés,
na imponente corrente agressiva,
vão perdendo suas vidas.
Assim menino acena em ritual do desejo eminente,
ancorando sonhos em cada cais,
no adormecer de cada sol poente.
Vida de criança solitária com cenário de
pôr-do-sol
a retratar, qual um barco sem rumo
entregue as tempestades do mar.
Um brilho no farol, sinalizando rotas desviadas
por apagadas estrelas no céu,
mãos que moldam sentimentos
em pequenos barcos de papel.
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