PRIMEIRO ATO

Delasnieve Daspet


Ainda é como antes.
Nada mudou.
Ainda te quero.

Ainda embalo meus sonhos
Nos suaves acordes de tua voz.
Sons, semitons, sustenidos
Que se espalham pelo ar
E que vivem em mim.

Contemplo com meu olhar
Um ponto distante,
- Um risco no mapa da vida -
A tua imagem.

Tal como vi, na última vez:
Parado, no cais,
Estavas lá...
Vieras confirmar a partida.

Teu vulto se perdeu em meio a neblina.
Esta foi a imagem ultima que
Ficou na retina.
E eu segui acompanhada da saudade.

E desde então estivemos peregrinado,
Como fantasmas de uma ópera nunca finda.
E entre braços flácidos pela inclemência do tempo
Ainda interpretamos o primeiro ato...

--19-05-2002 10,00 hs --
Campo Grande MS



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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