CAIS

Lúcio Reis


A ventania da imaturidade
Em minha costa batia
E eu seguia ora por uma, ora por outra via
Sem saber que havia causualidade
Qualquer rota eu desconhecia
E assim simplesmente vivia
Despreocupado com a vida e sua verdade
Não tinha bússola e a nada seguia
Mas um dia recebi teu abraço
E teu sorriso como um laço
Apertado pelo teu carinho
Prendeu o meu coração e lhe deu um ninho
Não demorou e pude perceber
Que no teu amor estava o que buscava
O cais de meu destino e tudo passei a ver
Descobrindo que só precisava dessa cais
Para as maravilhas do mundo às mãos ter
Pois por esse cais desembarcam todo dia
Volumes de atenção e de carinho
Pacotes de satisfação e de alegria
E para o amor brindar garrafas de delicioso vinho
E é também por esse cais
Que despachamos da alma as incompreensões
Do peito o desentendimento e seus turbilhões
E com essa atração nem eu, nem tua vais
Jamais, em busca de outro cais.

Belém do Pará
22/02/07



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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