LONGE DO CAIS

Anna Peralva

Minha alma escureceu,
As luzes fugiram para bem distante,
O corpo esmoreceu...
Olhos embaçados e vagantes
Buscam o que se perdeu.
Dias suspensos num tempo
Entre a incredulidade
E a frieza.
Pensamentos desordenados
Num vai e vem de imagens
Embaralhadas e foscas,
Vultos distorcidos,
Serão miragens?
Emoções em ânsias revoltas,
Ondas furiosas alertando,
Tempestade chegando...
Desaba o temporal de ilusões
Sentimentos escorrem pelo chão,
Folhas arrancadas das raízes
Levadas pelo vendaval.
Barco à deriva cada vez mais
Longe do cais,
Navego qual cega
Tateando na escuridão
Procurando me encontrar,
O horizonte se escondeu
Entre neblinas de desilusões.
Não sei se naufrago na saudade
Ou reergo a vela da vida
E sigo viagem, aportar num estuário
Em busca de um lugar onde possa aportar
Singrar num renovado cenário
Ou, se cada vez mais apartada da paz
Me entrego ao mar,
Distante do farol do seu olhar.

2007


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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