MEU CAIS

Gui Oliva

esse meu cais já foi porto seguro
ali eu, ancorada, atava o navio da minha vida
que, sustentado por amarras em seu convés,
dava-me a segurança e nunca a
imaginei perdida

de repente, ao cair de uma tarde, o temporal,
acompanhado daquele vendaval insano,
agitou o mar deixando à deriva minha nau,
levando-me a navegar um triste desengano

e agora sou assim tal qual a rocha dura,
calhau que bate solto em seus portais...
o tempo, o mar, o céu agora estão serenos

mas o coração respinga dores nessa agrura,
bordeja o desamor e remando diz... acalmai,
mas são muitos os ais na beira deste cais!

Santo/SP 13/02/07



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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